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Julho 4, 2011
(foto) Bel Pedrosa MÁRIO CHAMIE (1933 – 2011) Fui aluno de Mário Chamie na Escola Superior de Propaganda de São Paulo. Suas aulas de semiótica eram memoráveis. Sua fala clara, correta, objetiva, manejando a língua portuguesa com precisão e as idéias com máxima habilidade, a figura do comunicador superando a do intelectual embora o conteúdo do que nos dizia não deixava dúvidas de que era um mestre. Gentleman, impecável, um típico paulistano do tempo da garoa quando se levava o guardachuva, o chapéu e o sobretudo quando se saia de casa, bom humor e perspicácia sempre presentes. Eu tinha a impressão de que ele, enquanto falava, escrevia um texto magnífico em nossas cabeças, um texto que se fosse gravado e vertido para o papel, não precisaria ser revisado, estaria pronto para publicação. Tanto o conteúdo como a forma. Na ESPM não faltavam excelentes profissionais lecionando. Pioneira nos cursos superiores de propaganda no Brasil, seguia uma filosofia de usar profissionais do ramo para ministrar os conhecimentos das respectivas áreas. Assim tivemos chance de ter aulas com ‘bambas’ (desculpem a gíria antiga) como J. Roberto Whitaker Penteado, Roberto Duailibi, Alex Periscinoto, Neil Ferreira e Mário Chamie que lecionou lá até recentemente, sendo o mais antigo professor da faculdade. A cidade de São Paulo, seus moradores e especialmente sua juventude, estudantil ou não, lhe devem muito. Mário Chamie foi secretário municipal de Cultura entre 1973 e 1983, quando criou o Centro Cultural São Paulo, a Pinacoteca Municipal de São Paulo e o Museu da Cidade de São Paulo. Ganhador de diversos prêmios de literatura, entre eles os Jabuti de 1962 por "Lavra Lavra", o poeta deixou uma grande obra, com diversas publicações. PRÁXIS Procurei na internet dados sobre a sua trajetória como poeta: Depois da poesia concreta, a vanguarda poética dos anos 50 e 60 que mais deu o que falar foi a poesia práxis. Como o nome sugere, a idéia central era construir poemas com base na prática da vida. Segundo Chamie, principal poeta e teórico do grupo, os poemas práxis resultavam de um levantamento de palavras dentro do campo semântico do tema escolhido para o poema ou livro. Exemplo disso é um dos primeiros poemas de Chamie transcrito abaixo. "Plantio" vem do volume Lavra Lavra (1962), que se propõe a representar o universo do trabalho rural. Assim, lá estão termos como enxada, braço, cova, grão. Arquirrivais dos concretos, os poetas práxis partiam da idéia de que, no final dos anos 50, a poesia deflagrada pelo Modernismo de 22 atingira um estágio de esgotamento. Em especial, criticavam os poetas da chamada geração de 45, pelo seu beletrismo neoparnasiano, sua repetição de recursos já consagrados e seu retorno às formas fixas, como o soneto. Chamie tentou de certo modo preservar a estrutura do poema, além de manter um forte rastro de realidade. As suas experiências são interessantes como tentativa de manter a tradição do Modernismo sem renunciar ao espírito de vanguarda. PLANTIO Cava, então descansa. Enxada; fio de corte corre o braço de cima e marca: mês, mês de sonda. Cova. Joga, então não pensa. Semente; grão de poda larga a palma de lado e seca; rês, rês de malha. Cava. Calca e não relembra. Demência; mão de louco planta o vau de perto e talha: três, três de paus. Cova. Molha e não dispensa. Adubo; pó de esterco mancha o rego de longo e forma: nó, nó de resmo. Joga. Troca, então condena. Contrato; quê de paga perde o ganho de hora e troça: mais, mais de ano. Calca. Cova: e não se espanta. Plantio; fé e safra sofre o homem de morte e morre: rês, rés de fome cava. Saiba mais sobre a obra de Mário Chamie em: http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet075.htm do poeta Carlos Machado http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sao_paulo/mario_chamie.html do professor e poeta Antonio Miranda Junho 18, 2011
A TERRA NÃO ESQUECE (Publicado como comentário no Taboão em Foco. Veja lá o que os sem-teto estão fazendo a respeito.) A área do Jd.Helena da qual se fala pertencia à Paulicoop, uma cooperativa habitacional que foi a falência nos anos 90. As terras estão em litígio na justiça. Grandes dívidas de IPTU. Esqueletos de prédios que viraram covil de bandidos, traficantes e tarados. A Administração Municipal manteve o local em abandono. Sendo uma área central, não usou sequer o recurso de murar o terreno e cobrar do proprietário o serviço, uma vez que é pessoa conhecida, seu nome era citado até nas sessões da CMTS. Na época da primeira invasão, o terreno de 80 mil m2 e valor venal de dois milhões e setecentos mil reais (antes do IPTU-monstro de 2010!) era baldio, sinistro, aterrador. O sr.Mário de Freitas, cujo jornal ‘Hoje em Notícias’ ainda lutava para ser aceito na ‘gestão popular socialista’ (PSB / PT) recém-empossada, fez uma reportagem comovida do ‘Acampamento Chico Mendes’, lá instalado pelo MTST. Saíram, voltaram. Cinco anos depois, o ‘Acampamento Che Guevara’ do mesmo MTST é instalado. É tratado com frieza pela Prefeitura. Como de hábito, não conseguem falar com o prefeito. São impedidos de entrar na Câmara porque podem acampar lá (possibilidade concreta). Restam as ruas com carros da PM e GCM abrindo e fechando o cortejo, trânsito parado, população reclamando. Em maio último, desocupam a área pacificamente. Em cinco dias, erguem-se tapumes e se diz que o terreno foi VENDIDO para uma grande empreiteira. Mário, agora no cobiçado cargo de Secretário, desmente Boulos, líder do movimento, segundo o qual a área é de ‘interesse social’ (50% destinada a moradias para população TABOANENSE de baixa renda) pelo Plano Diretor, que precisa ser modificado, com aprovação da Câmara, para lá se construir prédios. (1) Considerando que não se sabe ainda se a Câmara vai conservar o perverso ‘acordo de vereadores’ que APROVA por unanimidade tudo o que vem do executivo; (2) considerando que o tal ‘capital[ismo] imobiliário’ e selvagem seduz tanto nossas autoridades a ponto de ultrapassarem os limites da lei e irem presos; (3) considerando que se criou um precedente (perigoso, na minha opinião) quando a Câmara aprovou com o voto a favor de apenas DOIS vereadores matéria (contas de ex-prefeito) que exigia maioria absoluta (NOVE vereadores), ignorando que, (a) se não há tempo para as votações normais de um projeto (neste caso, havia mas não quiseram esperar), (b) a votação precisa ser ‘fechada’ de imediato (sem discussão e em silêncio, como de praxe), e mais, (c) não considerando que três vereadores ausentes estavam PRESOS (portanto o quorum que permitiu a abertura sessão não era pleno gerando a impossibilidade de decisões soberanas do plenário) e, ainda, (d) que é permitido a ‘construção ACIMA do permitido pelos coeficientes de cada zona, mediante a OUTORGA ONEROSA do direito de construir (a Construtora paga e fica liberada, é assim que tanto prédio está brotando da terra em TS); Prepare seus ouvidos para a chegada dos bate-estacas, a motosserra, os guindastes, os tratores e as betoneiras de um novo (e monumental) empreendimento imobiliário, ali mesmo na sua esquina, como acontece aqui mesmo na minha, a VERTICALIZAÇÃO ANUNCIADA de nossa cidade. Setembro 19, 2010
D E V A G A R , D E V A G A R I N H O
Ilmo. Sr. Vereador Natalino J. Soares Taboão da Serra – SP Sou um morador desta cidade que foi muito prejudicado pela PGV que gerou o IPTU 2010. Como eu, mais de 10 mil moradores assinaram um projeto de lei revogando a referida planta e dando soluções para o restabelecimento da justiça fiscal na arrecadação desse imposto. Vossa Senhoria deve estar muito ocupado com a campanha eleitoral, não tenho dúvidas disso. Entretanto o projeto de lei de iniciativa popular está tramitando lentamente pela Câmara. Mesmo assim, teve parecer favorável da comissão de Justiça e Redação e agora está em mão da comissão que Vossa Senhoria preside, a de Finanças e Orçamento. Desnecessário dizer que este projeto é de interesse da cidade como um todo, uma vez que acabou gerando, além de um salto na arrecadação, uma grande ‘mexida’ na estrutura imobiliária do município e, consequentemente, com a vida das pessoas. A cidade, portanto, espera uma resposta. Vossa Senhoria presidiu uma Comissão de Acompanhamento da Questão do IPTU no início deste ano, comissão esta que concluiu enviando ao Sr. Prefeito um requerimento para que enviasse à Câmara toda a documentação referente ao lançamento do referido imposto para estudos, audiências públicas e revisão de valores. Que eu saiba, este requerimento não foi atendido até agora porque, se tivesse sido, o foguetório comemorativo teria sido ensurdecedor. E infelizmente, se vierem as informações nesta altura do ano, pouco poderá ser feito uma vez que trabalho desse porte, e com qualidade, não se faz em poucos meses. Sendo assim, venho apelar para que Vossa Senhoria convoque a comissão de Finanças e Orçamento para apreciar o projeto de lei de iniciativa popular, possibilitando, caso o parecer seja favorável, que o Exmo. Sr. Presidente, vereador Elói, o submeta ao plenário ainda dentro do prazo que a Lei Orgânica dos Municípios estabelece, isto é, no fim de setembro. Conto com sua colaboração e sua amizade ao povo, slogan que, creio, Vossa Senhoria de fato mereça. José Sudaia Filho blogdosudaia Uma mensagem ao Povo BrasileiroTenho 87 anos de idade e descendo de família getulista. Sofremos muito com a revolução de 1932 no sítio onde morávamos no Vale do Paraíba. Graças a Deus, Getúlio ganhou e foi o primeiro presidente que se interessou pelos trabalhadores. Foi um grande presidente muito querido pelo povo. Quando terei o título de eleitor, em 48, votei para presidente no marechal Dutra que era apoiado por Getúlio. E que venceu a disputa. Fui votando em todas as eleições até a que elegeu Lula, um trabalhador, como nosso presidente. Depois de Getúlio, Lula é o outro que se interessou realmente pelos trabalhadores, pelos pobres, pelos que passam fome. Tenho guardado com carinho, entre as páginas de um livro, a carta que Getúlio escreveu antes de nos deixar. Gosto muito de um trecho que costumo reler sempre. “Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta, por vós e por vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis o meu pensamento, a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos, e meu nome será a vossa bandeira de luta.”
O presidente Getúlio assina a lei que cria a Petrobrás, em 1953 Só me arrependo de três votos que dei: o primeiro para Collor que, com seus planos econômicos, prejudicou demais um meu filho e um meu sobrinho; o segundo foi o atual prefeito de Taboão da Serra, no qual votei duas vezes, e acabou aumentando nosso IPTU em mais de 600 %, o que nos trouxe sérias dificuldades. Votei duas vezes no Lula que, como presidente, continua sendo do povo e cuidando do povo brasileiro. Estou muito feliz por ter alcançado a época de hoje para votar no Lula, que tornou o Brasil conhecido em todo o planeta. E, mais feliz ainda, por poder eleger uma mulher, a Dilma, presidente do Brasil. O povo brasileiro merece isso. Vó Maria Setembro 16, 2010
Sr. Marcelo Valladão Jornalista da SECOM Sr. Mário de Freitas Secretário da SECOM Prefeitura Municipal de Taboão da Serra Agradeço a atenção dispensada. Me permito fazer duas observações: 1) a publicação a que me referi é a revista “Taboão da Serra 2010”, assinada pelo sr. Marcelo e que recebi por circulação dirigida, na semana passada (e da qual tratarei mais longamente em meu blog); 2) as empresas de assessoria de imprensa e de marketing a que me referi têm exemplos como Sampa Sul, Circuito BR116, Maxpress Net, Cultura na Região, Jornal Destak, Gazeta SP e uma outra, do Rio de Janeiro, que me enviou por algum tempo e-mails com releases sobre nossa prefeitura – o que elas têm em comum é a reprodução ipsis litteris dos releases que vocês emitem, muitas vezes indicando o nome da jornalista que os elaborou; 3) quanto a terem usado meu texto como de apoio, só para servir de referência, não é crível uma vez que, em geral, a reprodução de matérias são feitas nas famílias de letra padrão do site o que, como sabem, impede a distinção que quiseram estabelecer; quanto a servir de referência, percebam que, se não constam o autor, aqueles que quiserem se servir do texto vão copiar-e-colar dali mesmo e, se tiverem algum senso, me colocarão como ‘autor desconhecido’, perpetuando o contrassenso; Como meu desejo principalmente de ajudar na divulgação da palavra e das imagens de nossos pioneiros, sugiro que vocês peçam autorização à dona Rose, do Portal, para reproduzir a entrevista que ela fez com o sr. Ary há seis anos atrás e que republicou no Portal em 13 / 9. Sugiro ainda que peçam à autora que aperfeiçoe o texto complementando o antepenúltimo parágrafo com a frase “e que foi inaugurada” no dia 13 de novembro de 1972 [a fonte da Praça Nicola Viviléchio]. Agradeço a consideração que manifestam pelo trabalho de pesquisador e escritor independente que, com esforço e dedicação, desenvolvo. José Sudaia Filho blogdosudaia.blogger.com.br sudaia@globo.com |